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{Bom de ler} Avô também educa

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Sumiço de ontem: dor de garganta e febre… justifica? rs. Mais uma coluna inspiradora!

Essa me lembra MUITO meu avô querido… que cuidava de mim para meus pais descansarem e aproveitarem em Caraguatatuba quando era novinha… muitas saudades…

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Avô também educa

Era a planejada viagem da família toda com a primeira netinha de pouco menos de 2 anos.

Destino: a Casa do Lago, a cerca de duas horas e meia de São Paulo. Um fim de semana comprido. E sonhado.

Na manhã seguinte à primeira noite, ali pelas 6h30, porque a menina tinha hábitos espartanos, o avô se posicionou embaixo da janela do quarto em que ela dormia com os pais, à espera de ouvi-la acordar e, generosamente como os avôs estão habituados a se comportar, se oferecer para pegá-la, dar a mamadeira, o café da manhã e sair para passear de charrete, com o que os pais poderiam continuar descansando, trabalhadores eméritos que são.

Eis que, de repente, não mais, o avô ali quieto, sentadinho, quase tirando um restinho de soneca, ouve aquela vozinha (não confundir com vovozinha), balbuciar acordando: “Cadê o vovô?”.

Que não aguenta e se trai, ao rir mais alto do que devia.

Foi o bastante para a janela ser aberta imediatamente naquela manhã luminosa de tão ensolarada e o avô babão ser pego em flagrante, tentando se escafeder, pela nora, ainda sonolenta. Mas era tarde.

Deu para ouvir, “quase” envergonhado: “Seu pai tava aí, na janela.”
“Como?!”.

Coisas que só os vovôs e as vovós espalhados pelo mundo sabem digerir numa boa.

Daí o “quase” envergonhado porque, na verdade, não havia, nem houve, nem haverá motivo algum para se envergonhar de um ato que nada tinha a ver com espionagem, mas apenas com vontade de brincar e de ajudar, nesta ordem, sem disfarces, francamente!

Na correria da vida moderna, se meus pais já foram duas mãos nas quatro rodas de tanto que me ajudaram e foram solidários e carinhosos, mais ainda temos de ser em relação aos netos e filhos hoje em dia.

E sem essa de que avós não têm de educar e que o dia de estar com netos é gostoso duas vezes, quando eles chegam e quando vão embora, porque não é nada disso: quem ama põe limites, por mais que avós possam transgredir aqui e ali o rigor dos pais; e a hora de ir embora faz parte, é obrigatória, mas nada tem de gostosa.

Se o instinto de proteção em relação aos filhos nos acompanha a vida toda, não é exagero dizer que em relação aos netos é em dobro.

Porque se nos melhores momentos de relacionamento com filhos nunca esquecemos que a vida tem que seguir, com netos a vontade que dá é a de que a vida pare, congele, para sempre.

Juca Kfouri é jornalista esportivo, pai de quatro filhos e avô orgulhoso

{Bom de ler} Vovô “espendoroso”

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Estava ensaiando a dias fazer esse especial aqui no blog.

Isso porque me APAIXONEI por estes textos do Juca Kfouri sobre a relação dele com as netas.

Sim, Juca é jornalista esportivo mas, antes de tudo, escreve sobre todos os assunto da forma mais gostosa de ler que já vi na vida!

Serão 5 textos durante esta semana.. tenho certeza que vão suspirar e chorar muito… assim como eu fiz.

A publicação está autorizada pelo próprio que, não sei se todos sabem, é chefe do meu marido… rs… e fez algo parecido no seu Blog do Juca na semana das crianças.

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Desde junho, por uma brincadeira numa mesa de jantar, assumi a responsabilidade, e o prazer, de fazer uma coluna para a revista pais&filhos. Como neste mês de outubro saiu a quinta coluna, e vivemos a chamada “Semana da Criança” , divido com o avós frequentadores deste espaço (se é que os há…), uma por dia, de segunda à sexta-feira, a maravilhosa aventura de ser pai em dobro.

 

Vovô “espendoroso”

Onde a gente aprende a ser avô? Perguntou o amigo aflito, depois de receber a notícia da primeira gravidez da filha. Há manuais para ensinar a lidar com os filhos, mas não encontrei nenhum que ensinasse um avô a enfrentar os netos!

O lamento do amigo calou fundo. Fomos procurar em livrarias e na internet, e constatamos que ele estava certo: não encontramos um único livro em português que orientasse um avô ou uma avó em seus primeiros passos.

O que isso significa? Será que os brasileiros nascem com toda a sabedoria necessária para exercer essa função? Pensamos em nossas próprias experiências, comparando a vivência de uma avó com mais de 10 anos de prática no exercício da função com os sentimentos de um avô recém-empossado no cargo.“

É assim que a psicoterapeuta Lidia Aratangy e o pediatra Leonardo Posternak justificam a existência da obra que lançaram em 2005: “Livro dos avós. Na casa dos avós é sempre domingo?”

E é por esta escassez surpreendente de textos sobre a mais nobre das atividades, a de ser avô, que o acima assinado sai de seus cuidados esportivos e adentra o gramado do tema mais importante de sua vida, felizmente ainda curta. Sim, nada é mais importante do que ser avô da Luiza, de seis anos, e da Julia, de três.

Não fui avô pela primeira vez com 33 anos, como Raí, mas com 55, muuuito jovem. E mudei minha vida por isso. Parei de fumar, passei a caminhar, a nadar, a fazer musculação e a dedicar o tempo que posso, sempre muito menos do que gostaria, às duas.

Se nunca cometi o crime de não ver meus filhos crescerem, mais ainda não vou cometê-lo em relação às netas.

Porque a Julia, em sua bem sucedida luta para conquistar espaço, diz pra mim que “vovô, você é só minha” para espezinhar a Luiza, que disse, com menos de dois anos, que “o vovô é apaixonado da Luiza”, além de ter declarado, do fundo de sua alma, por ter sido autorizada a outra sessão no pula-pula: “Vovô, você é espendoroso!”

Diferentemente do livro, acho que não vou ajudar ninguém a ser avô aqui.

Ficarei feliz contando casos e se, principalmente, conseguir fazer com que genros, noras, filhos e filhas entendam melhor o que é ser avô e avó.

Porque, me convenci de que é verdade que só se aprende ser filho quando se é pai e só se aprende a ser pai quando se é avô.

 

Juca Kfouri, avô de Luiza e Julia, é jornalista esportivo, pai de quatro filhos e avô orgulhoso.